Sorry, your browser doesn't support Java(tm).

 

 

 

 

 

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;  
Quando luzes, calor, orquestra e flores.
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança! ...
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos Ao grande, ao belo; é ser capaz d'extremos.
D'altas virtudes, até capaz de crimes!
Compr'ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!  
                                                         (Gonçalves Dias)