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Essa que eu hei de amar perdidamente um
dia
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será tão loura, e clara, e vagarosa,
e bela,
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que eu pensarei que é o sol que vem,
pela janela,
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trazer luz e calor a essa alma escura e
fria.
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E quando ela passar, tudo o que eu não
sentia
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da vida há de acordar no coração,
que vela…
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E ela irá como o sol, e eu irei atrás
dela
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como sombra feliz… — Tudo isso eu
me dizia,
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quando alguém me chamou. Olhei: um
vulto louro,
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e claro, e vagaroso, e belo, na luz de
ouro
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do poente, me dizia adeus, como um sol
triste…
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E falou-me de longe: "Eu passei a
teu lado,
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mas ias tão perdido em teu sonho
dourado,
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meu pobre sonhador, que nem sequer me
viste!"
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(Guilherme de Almeida)
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